(...)
Por mais que diga e reafirme que esse será minhas últimas palavras unidas num papel para você, sei que minto. Me pediste para responder tuas confissões, com outras. Confissão número um: sempre vai existir um pedaço de ti em mim, você faz parte da minha historia, da invenção das minhas fobias, do meu vicio de ter vícios, mas me acalmo em dizer que não era como antes, vivo agora mais tranqüila do que atormentada por suas lembranças. Arranjei outros motivos para me atormentar, outras pessoas para te perder e me encontrar. Minha vida sempre foi baseada em relações fora do convencional, pitorescas talvez, se te contasse tudo que vivi nesses meses, de tudo que me libertei, tudo que senti numa intensidade que alguns julgariam deplorável, iria rir da minha imprudência jovial. Me vi próxima de pessoas que só agora fui verdadeiramente conhecer. Conheci um cara, para dizer a verdade uma dezena deles passou pela minha vida sem me deixar marcas, mas só três me desorganizaram e me fizeram desejar sua permanência após os dias. Interpretei dentro do palco e fora dele, cortei o cabelo, mudei os meus óculos, sofri com a biologia que não entra na minha cabeça, sai da fisioterapia, me adaptei a ter perdido alguém que na verdade nunca foi meu. Vivi assim, quase sem me querer, até que o encontrei, não foi programado, planejado ou esperado. Espero na verdade outro amor que balance minhas veias, mas ainda não é dele que estou a lhe relatar. O ele em questão se tornou meu melhor amigo, meu irmão, minha relação incestuosa, o limite inexistente entre a relação pessoal e profissional. Meu amor por ti nesses últimos meses diminuiu diante dos meus olhos, e da raiz dos meus cabelos. E está aqui seu pedido de reciprocidade atendido, se fosse realmente tão corajosa e impetuosa pararia de te escrever para você não ler. Não se espante meu querido se um dia encontrar sua caixa de correio abarrotada com meu antigo amor.
09 dezembro, 2009
04 dezembro, 2009
Carta do meu amor (Parte 1)
Olhava fixamente para a janela do décimo terceiro andar, impressionante como mesmo tendo fugido tanto daquela cidade, daquele bairro, daquele apartamento, daquele travesseiro com sabor do teu perfume parisiense, conseguia me sentir tão frágil. Uma boneca de fácil manejo que caia num poço sem fim a qualquer atitude tua, era isso que havia me tornado, ou melhor, sempre fui essa boneca entrelaçada nesses fios de nilon invisíveis. No fundo ainda existia uma doce esperança de te encontrar, junto com o medo do que isso poderia despertar. Precisava de álcool, mas o elevador elevava as minhas dores e ressentimentos aos olhares atentos dos seus amigos, os quais me filmavam a cada suspiro. Lembro de ter pensado em deixar de respirar, ou deixar de existir um milésimo de segundo depois. Sem deixar ninguém perceber, te procurei em todos os resquícios. Tudo ali parecia nos refletir, o cheiro da cor do teu carro, tuas roupas na desorganização perfeita costumeira, os seus livros jogados. Se não me engano foi nesse momento que sua mãe comentou sobre minha beleza, ou o seu pai sobre o meu vestido preto, só lembro-me do complemento, nenhuma novidade para mim, você não estava ali, tinha viajado por motivo de força maior, trabalho, tentaram demonstrar o quanto sentia pela ausência naquele momento. Queria que sentisse pela ausência em mim, não naquele momento. Transtornos me impulsionaram há fazer uma ligação, o discar dos números foi interrompido ao receber a tua letra ilegível num papel amarelado junto de uma garrafa convidativa de vinho. Não me importava de onde vinha, nem quem a trazia, apenas o “para minha atriz boemia” no envelope. Lia-te tão rápido, depois vagarosamente, com medo do acabar das folhas do nosso amor, lia-te como uma despedida, como um adeus, um fechamento do ciclo que sempre busquei. A reciprocidade do meu amor dolorido escrito em verso e prosa. Havia mais algo naquela sacola. Fotos, fotos e mais fotos. Meu rosto estampado durante tua vida, fotos espontâneas, minha cara enjoada de sono, minhas espinhas, olheiras, tua roupa no meu corpo. Felicidade me consumiu, não seria eu um ser compulsivo sozinho, havia a sua arte registrada também, era apenas voltada para outro ponto de vista. As circunstâncias haviam me tomado de você, nossas fraquezas, temores, ressentimentos, inseguranças apenas somavam para tudo estar como está. Ela era exatamente o contrário, era a segurança, a disponibilidade a todo segundo, um sim sem um não, uma certeza sem dúvidas, todos os defeitos escondidos atrás de uma falsa perfeição.
(...)
26 novembro, 2009
Intensidade giratória
Mas quanta intensidade,
Tudo gira com tanta velocidade.
Não me satisfaz mais essa meia metade.
Acumulo minhas horas não dormidas,
Em troca de tanta liberdade.
Quantos hematomas apareceram de repente.
Me sinto assim como num filme incoerente,
No roteiro, você veio bagunçar minha rotina
Meu horário e minha mente.
E sem acabamentos, nem cenas cortadas,
Você vira meu antídoto, compra o seu próprio veneno.
Quanto te encontro, mais fujo.
Tudo gira com tanta velocidade.
Não me satisfaz mais essa meia metade.
Acumulo minhas horas não dormidas,
Em troca de tanta liberdade.
Quantos hematomas apareceram de repente.
Me sinto assim como num filme incoerente,
No roteiro, você veio bagunçar minha rotina
Meu horário e minha mente.
E sem acabamentos, nem cenas cortadas,
Você vira meu antídoto, compra o seu próprio veneno.
Quanto te encontro, mais fujo.
19 novembro, 2009
Só de sacanagem
Cabelos molhados, rostos conhecidos em desejos encharcados
Garrafas que prenderam nossas sanidades e nos embebedaram de alarvidades
Com seu vazio gradativo tão convidativo.
Vejo o mundo de outra perspectiva,
Turvo, colorido - um escancarado sorriso!
Olhos me enganam,
Óculos se perderam
E todas as razões se dissolveram.
Meus ouvidos não falham.
Pernas desconhecidas estão a chegar,
Se aproximar, maliciosas querendo nos enlaçar.
Intimidados com tanta libertinagem?
Sei que no fundo é apenas falta de coragem.
E desfilamos nossa sensualidade só de sacagem!
Fumaça e problemas ao vento
Corpos quente expostos ao frio do relento
Cuspindo fogo em vocês e queimando por dentro.
Garrafas que prenderam nossas sanidades e nos embebedaram de alarvidades
Com seu vazio gradativo tão convidativo.
Vejo o mundo de outra perspectiva,
Turvo, colorido - um escancarado sorriso!
Olhos me enganam,
Óculos se perderam
E todas as razões se dissolveram.
Meus ouvidos não falham.
Pernas desconhecidas estão a chegar,
Se aproximar, maliciosas querendo nos enlaçar.
Intimidados com tanta libertinagem?
Sei que no fundo é apenas falta de coragem.
E desfilamos nossa sensualidade só de sacagem!
Fumaça e problemas ao vento
Corpos quente expostos ao frio do relento
Cuspindo fogo em vocês e queimando por dentro.
Por: Alana Cascudo e Lilla Fernandes (http://ocarcereprivado.blogspot.com/)
18 novembro, 2009
Pintar minha alegria
Pintei meus dois dedos de desleixo, que separavam minha raiz drasticamente da ilusão loira. Concretizei no exterior a minha mudança interior, já tão clara para quem não apenas julga me conhecer bem. Vou dormir sem hora pra levantar da minha rede, mas se minha rede falasse, não teria eu um segundo de paz, uma matraca descontrolada a berrar as aventuras do meu quarto escuro, que bom que sua mudez é concretamente materializada. Estou livre de algumas amarras. Sinto que a felicidade veio me visitar, já há algum tempo, e cada dia mostra sua verdadeira face ao encostar-se no meu nariz. No primeiro dia apenas bateu na porta, no segundo estava na sala de jantar, no terceiro no meu quarto e agora nas minhas veias, nos meus olhos, nos meus sorrisos tão espontâneos. Sei que um dia vai embora, sem avisos prévios, não mandara nem sequer telegramas por um bom tempo. Pode me chamar de boba, mas não me importo, até gosto. Gosto dessas oscilações, dessa certeza do sofrimento, das lágrimas, para só depois vim o estágio de alegria eufórica. Espero que você não queira me prender em discursos bestas, não agora, sou bem mais má do que aparento, quando quero. Prendo-me apenas nas minhas palavras escritas, não ditas. Sou mais sincera quando finjo meu bem. Não é maldade, é sinceridade fingida.
12 novembro, 2009
Famintos...
De vocês, minha paz e abrigoPara vocês, meu carinho e afeição.
Rótulos, não há brecha para sua indigna presença,
Temos pouco espaço e muitos corpos.
Pluralidade.
Suas carcaças nem imaginam,
O bem que me causam suas presenças,
E a dor da saudade nas suas ausências.
Minha droga, minha cocaína,
Meu vicio cheio de efeitos colaterais,
E nenhum dano maléfico.
Essa é minha decisão, prisão
Mas com a chave na mão.
10 novembro, 2009
Companhia aos meus óculos
Troquei os móveis de lugar,
Mudei os hábitos,
Substitui os vícios,
Encontrei você.
Perdi-me nos teus óculos.
Aposentei meu cigarro
Ao condená-lo a companhia fiel do falhar do meu isqueiro.
Refaço você.
Abstinência utópica desfalece nos teus braços.
Medos e receios, nas minhas caixas estão
Longe do meu alcance, os perdi.
Mas quem os levou para dentro dos teus olhos?
Mudei os hábitos,
Substitui os vícios,
Encontrei você.
Perdi-me nos teus óculos.
Aposentei meu cigarro
Ao condená-lo a companhia fiel do falhar do meu isqueiro.
Refaço você.
Abstinência utópica desfalece nos teus braços.
Medos e receios, nas minhas caixas estão
Longe do meu alcance, os perdi.
Mas quem os levou para dentro dos teus olhos?
01 novembro, 2009
Sobre não promessas

Não te disse belas frases,
Não escutei ilusões.
Só agradáveis verdades,
Como tudo que saia da tua boca.
Que belo moço, que vento frio.
Desenfreados beijos, mordidas repentinas.
Repentino era o vento que invadiu meus cabelos,
Mas que doce voz a tua ao identificar minhas marcas.
Amparo no desenfreado desabar dos tijolos.
Complexado ser da arte de fingir sempre serei eu.
Tuas minhas histórias,
Minhas tuas cicatrizes,
Sem fim será nossos olhares tão falantes.
Queria rasgar tudo isto aqui,
Pois não mereço ser lida por ti.
Não fumarei perto dos teus pulmões, meu querido,
Posso despertar minha vontade destrutiva.
Já estou a queimar tudo, mas que mania.
Isqueiro rosa entre os dedos,
Sinto fogo,
Pedaços de papéis querem falar em mim.
Não escutei ilusões.
Só agradáveis verdades,
Como tudo que saia da tua boca.
Que belo moço, que vento frio.
Desenfreados beijos, mordidas repentinas.
Repentino era o vento que invadiu meus cabelos,
Mas que doce voz a tua ao identificar minhas marcas.
Amparo no desenfreado desabar dos tijolos.
Complexado ser da arte de fingir sempre serei eu.
Tuas minhas histórias,
Minhas tuas cicatrizes,
Sem fim será nossos olhares tão falantes.
Queria rasgar tudo isto aqui,
Pois não mereço ser lida por ti.
Não fumarei perto dos teus pulmões, meu querido,
Posso despertar minha vontade destrutiva.
Já estou a queimar tudo, mas que mania.
Isqueiro rosa entre os dedos,
Sinto fogo,
Pedaços de papéis querem falar em mim.
31 outubro, 2009
Em pressão... (Parte 3)
(...)
Falei sem pausas, sem brechas, não consigo nem lembrar se deu tempo para respirar nas vírgulas inexistentes do meu texto oral ensaiado por três noites e três dias na frente do espelho do banheiro. “Onde acha que isso vai te levar? E a criança? A criança que você na maioria dos teus dias nem se lembra da existência, a criança que já tem um coração a bater dentro de ti. O que será dessa criança? O que será desse coração? O mesmo que fez com o meu? Que poderia ter morrido sozinho sem tua ajuda há três dias? Sai logo dessa vida, ou sai logo daqui!”. Esperava ansiosamente alguma alteração, algum grito ou xingamento como resposta, porém não deu tempo, desmaiou antes de falar o que quer que fosse, nem ao menos uma mensagem subliminar corporal foi dada.
Naquele milésimo de segundo ao vê-la cair no chão da sala pensei que fosse desmaiar no milésimo seguinte. Porém meu senso prático falou mais alto que a minha boba emoção desencadeada pela neurose de uma desconhecida que levei para minha casa sem saber ao menos nenhum dos seus antecedentes. Queda de pressão havia sido a culpada, contraditória à minha pressão alta, chegava a ser cômico, dois extremos juntos no mesmo metro quadrado.
Dependente como um alcoólatra, estava prestes a morrer por excesso de Maria das Lurdes. Tentava criar uma aversão à sua figura, quanto mais insistentes fossem minhas frustradas tentativas, mais próxima dela ficava. Pensei em criar um grupo de ajuda, como os alcoólicos anônimos, grupo de apoio aos obcecados por desconhecidos (nome adepto a mudanças, não soa bem, lembrar de pensar em algo). Lá, pessoas como eu, iriam encontrar ajuda, se identificar com os casos alheios e passar o seu tempo com outro passa tempo.
20 de junho, a famosa Mercedes voltou tomá-la de mim cada vez mais comumente. Sua cor, suas rodas, seu retrovisor e sua placa haviam mudado, porém a certeza de que era o mesmo carro para mim era absoluta. Apesar da sua presença física cada vez mais escassa, nunca mais havia sentido sua real companhia, apenas sua falta, o relógio cronometrava os dias que faltavam para o seu físico acompanhar a sua alma. Quando o sol vinha me avisar do outro dia pensava nas palavras certas para lhe dizer, dizer para não ir, para não levar em consideração as minhas críticas, arrogâncias, que tudo aquilo era causado pelo carinho materno que surgiu desprevenido por ela e pelo bebê. Cada noite me gritava na janela minha covardia, e naquela noite filmaria Lurdes entrar naquela Mercedes com o seu Glamour decadente habitual, seu cigarro já no fim sendo pisado pelos seus finos saltos. Deixei de ser fumante passiva naquele dia 30 de junho.
Havia me deixado um par de brincos e um doce bilhete: “Para você os brincos de pérola, herança da minha mãe, e a melhor parte de mim, parte que você fez ressurgir por algum tempo. Estou de viagem, nada de lágrimas, não mereço a vida de ninguém, nem sequer a minha, viajo e não volto nunca mais para esta terra, partirei de vez hoje de madrugada, partirei sem esperança de volta. Obrigada e me perdoe.”
Seu destino é a minha imaginação. Seu destino são meus dedos enrugados a digitar atentamente tudo que queria que acontecesse. O dono da Mercedes era o seu resquício de amor que veio lhe salvar? Ou seria ele um traficante de armas invisível? Estaria ela agora brincando com seu lindo menino num parque estadual qualquer? Ou estaria a sete palmos do chão? Está apenas cravada na minha carcaça e na minha alma, apenas isso posso lhes confirmar.
Falei sem pausas, sem brechas, não consigo nem lembrar se deu tempo para respirar nas vírgulas inexistentes do meu texto oral ensaiado por três noites e três dias na frente do espelho do banheiro. “Onde acha que isso vai te levar? E a criança? A criança que você na maioria dos teus dias nem se lembra da existência, a criança que já tem um coração a bater dentro de ti. O que será dessa criança? O que será desse coração? O mesmo que fez com o meu? Que poderia ter morrido sozinho sem tua ajuda há três dias? Sai logo dessa vida, ou sai logo daqui!”. Esperava ansiosamente alguma alteração, algum grito ou xingamento como resposta, porém não deu tempo, desmaiou antes de falar o que quer que fosse, nem ao menos uma mensagem subliminar corporal foi dada.
Naquele milésimo de segundo ao vê-la cair no chão da sala pensei que fosse desmaiar no milésimo seguinte. Porém meu senso prático falou mais alto que a minha boba emoção desencadeada pela neurose de uma desconhecida que levei para minha casa sem saber ao menos nenhum dos seus antecedentes. Queda de pressão havia sido a culpada, contraditória à minha pressão alta, chegava a ser cômico, dois extremos juntos no mesmo metro quadrado.
Dependente como um alcoólatra, estava prestes a morrer por excesso de Maria das Lurdes. Tentava criar uma aversão à sua figura, quanto mais insistentes fossem minhas frustradas tentativas, mais próxima dela ficava. Pensei em criar um grupo de ajuda, como os alcoólicos anônimos, grupo de apoio aos obcecados por desconhecidos (nome adepto a mudanças, não soa bem, lembrar de pensar em algo). Lá, pessoas como eu, iriam encontrar ajuda, se identificar com os casos alheios e passar o seu tempo com outro passa tempo.
20 de junho, a famosa Mercedes voltou tomá-la de mim cada vez mais comumente. Sua cor, suas rodas, seu retrovisor e sua placa haviam mudado, porém a certeza de que era o mesmo carro para mim era absoluta. Apesar da sua presença física cada vez mais escassa, nunca mais havia sentido sua real companhia, apenas sua falta, o relógio cronometrava os dias que faltavam para o seu físico acompanhar a sua alma. Quando o sol vinha me avisar do outro dia pensava nas palavras certas para lhe dizer, dizer para não ir, para não levar em consideração as minhas críticas, arrogâncias, que tudo aquilo era causado pelo carinho materno que surgiu desprevenido por ela e pelo bebê. Cada noite me gritava na janela minha covardia, e naquela noite filmaria Lurdes entrar naquela Mercedes com o seu Glamour decadente habitual, seu cigarro já no fim sendo pisado pelos seus finos saltos. Deixei de ser fumante passiva naquele dia 30 de junho.
Havia me deixado um par de brincos e um doce bilhete: “Para você os brincos de pérola, herança da minha mãe, e a melhor parte de mim, parte que você fez ressurgir por algum tempo. Estou de viagem, nada de lágrimas, não mereço a vida de ninguém, nem sequer a minha, viajo e não volto nunca mais para esta terra, partirei de vez hoje de madrugada, partirei sem esperança de volta. Obrigada e me perdoe.”
Seu destino é a minha imaginação. Seu destino são meus dedos enrugados a digitar atentamente tudo que queria que acontecesse. O dono da Mercedes era o seu resquício de amor que veio lhe salvar? Ou seria ele um traficante de armas invisível? Estaria ela agora brincando com seu lindo menino num parque estadual qualquer? Ou estaria a sete palmos do chão? Está apenas cravada na minha carcaça e na minha alma, apenas isso posso lhes confirmar.
28 outubro, 2009
Em pressão... (Parte 2)
(...)
Minha solidão mascarada pela obsessão de observar personagens pitorescos à minha volta, finalmente me deu adeus nas conversas intermináveis de um tempo que lembro tão detalhadamente. Confessara-me a sua vontade suicida, o desejo incessante de chegar ao fim do seu precipício, a indecisão de ter que acabar com uma vida que nem começou para isto, covardia. Enquanto o dia não chegava, era apática, nenhuma explosão de emoções transpirava pela sua pele repleta de cicatrizes. O sol trazia com ele sua forte depressão, seus traumas e sua mania de permanecer no escuro, de preferência sem o som de passos ao seu redor.
Apenas a presença humana me tranquilizava de tal maneira que não consigo expressar, seria como um vento frio doce batendo no meu rosto enrugado. Maria das Lurdes seria um furacão, multipolar, que aterrissou na minha vida. Não tive filhas, muito menos netas, tinha sobre ela uma noção de proteção cuidadosa, aconselhava ter o seu filho nem que fosse para dar para adoção. Acalmava-a nos momentos difíceis dizendo que poderia ficar comigo o tempo que fosse preciso, sempre recebia em troca palavras doces de agradecimento juntamente com “você não sabe o bem que está fazendo para minha vida”, gostaria de ter dito em algum momento, “recíproco”.
Dia 23 de maio. Após minhas incansáveis insistências, quase súplicas, consegui levar Maria das Lurdes ao médico, apesar das péssimas condições do hospital público, das filas homéricas e da espera exaustiva, conseguimos ser atendidas. Quatro meses de gestação, feto mal desenvolvido, acúmulo de fatores negativos, vícios, cigarro, álcool, má alimentação, tentativas autodestrutivas. Nada parecia lhe abalar, nem incomodar, sorriso sarcástico notavelmente destinado ao médico com ar de quem sabe onde ele anda nas madrugadas frias que alega estar de plantão. Formação dos primeiros cabelos do feto, que deixou de ser feto, para se tornar um feto macho, poderia agora se chamar Mauricio, Otavio ou Fabiano.
Passei meus dias a imaginar o rosto do dono daquele espermatozoide. Um gordo homossexual tentando criar para a sua família o protótipo desejado, porém bastante inteligente e com bons genes para cabelo escuro e liso. Tentativas. Um estrangeiro repugnante que havia vindo fazer turismo sexual praiano, prestes a ter uma insolação pela quantidade de raios ultravioletas recebidos na sua pele quase albina, ainda mais sem protetor solar algum. Ou seria o dono daquela Mercedes quatro portas, última geração que devo até ter mencionado. Inúteis.
Preocupações tomavam conta do meu ser por completo. O estrondo na porta, o barulho causado pela batida severa vinha como relâmpago me avisar da sua ausência por no máximo dois dias. Ao voltar trazia dinheiro para ajudar nas despesas da casa, algumas cicatrizes novas e esporadicamente demonstrava estar enojada por alguma leve atitude.
Dia 17 de junho, minha velha amiga pressão alta veio me visitar junto com uma dor aguda e forte mal estar, meu falso antídoto foi deglutido de uma vez só com um pouco de água. O meu grito à sua procura fez eco, a resposta era minha própria voz seca em busca da sua voz doce. Sentia algo que nunca havia sentido antes, uma angústia, um desespero, uma preocupação palpitante por três dias curada pela sua chegada intensamente fora de si. Gritei, berrei, questionei coisas que sabia que ela mesma não conseguiria responder. Não conseguia viver nesse gráfico ofuscante de baixos e altos tão pontiagudos, precisava de um pouco de constante, até de uma parábola, poderia ser.
(...)
Minha solidão mascarada pela obsessão de observar personagens pitorescos à minha volta, finalmente me deu adeus nas conversas intermináveis de um tempo que lembro tão detalhadamente. Confessara-me a sua vontade suicida, o desejo incessante de chegar ao fim do seu precipício, a indecisão de ter que acabar com uma vida que nem começou para isto, covardia. Enquanto o dia não chegava, era apática, nenhuma explosão de emoções transpirava pela sua pele repleta de cicatrizes. O sol trazia com ele sua forte depressão, seus traumas e sua mania de permanecer no escuro, de preferência sem o som de passos ao seu redor.
Apenas a presença humana me tranquilizava de tal maneira que não consigo expressar, seria como um vento frio doce batendo no meu rosto enrugado. Maria das Lurdes seria um furacão, multipolar, que aterrissou na minha vida. Não tive filhas, muito menos netas, tinha sobre ela uma noção de proteção cuidadosa, aconselhava ter o seu filho nem que fosse para dar para adoção. Acalmava-a nos momentos difíceis dizendo que poderia ficar comigo o tempo que fosse preciso, sempre recebia em troca palavras doces de agradecimento juntamente com “você não sabe o bem que está fazendo para minha vida”, gostaria de ter dito em algum momento, “recíproco”.
Dia 23 de maio. Após minhas incansáveis insistências, quase súplicas, consegui levar Maria das Lurdes ao médico, apesar das péssimas condições do hospital público, das filas homéricas e da espera exaustiva, conseguimos ser atendidas. Quatro meses de gestação, feto mal desenvolvido, acúmulo de fatores negativos, vícios, cigarro, álcool, má alimentação, tentativas autodestrutivas. Nada parecia lhe abalar, nem incomodar, sorriso sarcástico notavelmente destinado ao médico com ar de quem sabe onde ele anda nas madrugadas frias que alega estar de plantão. Formação dos primeiros cabelos do feto, que deixou de ser feto, para se tornar um feto macho, poderia agora se chamar Mauricio, Otavio ou Fabiano.
Passei meus dias a imaginar o rosto do dono daquele espermatozoide. Um gordo homossexual tentando criar para a sua família o protótipo desejado, porém bastante inteligente e com bons genes para cabelo escuro e liso. Tentativas. Um estrangeiro repugnante que havia vindo fazer turismo sexual praiano, prestes a ter uma insolação pela quantidade de raios ultravioletas recebidos na sua pele quase albina, ainda mais sem protetor solar algum. Ou seria o dono daquela Mercedes quatro portas, última geração que devo até ter mencionado. Inúteis.
Preocupações tomavam conta do meu ser por completo. O estrondo na porta, o barulho causado pela batida severa vinha como relâmpago me avisar da sua ausência por no máximo dois dias. Ao voltar trazia dinheiro para ajudar nas despesas da casa, algumas cicatrizes novas e esporadicamente demonstrava estar enojada por alguma leve atitude.
Dia 17 de junho, minha velha amiga pressão alta veio me visitar junto com uma dor aguda e forte mal estar, meu falso antídoto foi deglutido de uma vez só com um pouco de água. O meu grito à sua procura fez eco, a resposta era minha própria voz seca em busca da sua voz doce. Sentia algo que nunca havia sentido antes, uma angústia, um desespero, uma preocupação palpitante por três dias curada pela sua chegada intensamente fora de si. Gritei, berrei, questionei coisas que sabia que ela mesma não conseguiria responder. Não conseguia viver nesse gráfico ofuscante de baixos e altos tão pontiagudos, precisava de um pouco de constante, até de uma parábola, poderia ser.
(...)
27 outubro, 2009
Em pressão... (Parte 1)
Sinto eu uma necessidade de despejar tudo num papel, vomitar a tragédia grega a qual fui espectadora, despejar o que chamo de morte vivida. Pode lhes parecer ser apenas a fértil imaginação dramática de uma senhorinha aparentemente tão amável que passou a sua vida como público da morte alheia, porém tenham a minha garantia que aqui só registrarei as observações fervescentes dos meus olhos cansados, o que o vento me sussurrou ainda há pouco e as minhas lembranças um pouco defasadas pelo aviso próximo de não estar mais entre esses tijolos e argamassas. Começarei logo com a minha preferida, alguém um dia a chamou de galega e eu gostei. Apresento-lhes, a “galega”.
Seus longos cabelos loiros tentavam esconder o lindo rosto de traços suaves e delicados, modificado artificialmente por desejo e vontade própria. Olhos perdidos, no meio da cidade que fingia dormir, fixos nos carros que davam adeus naquela esquina. Sua única e fiel companheira, uma caixa de marlboro cheia de bitucas de cigarro, pequenas doses de ilusões espalhadas pela fumaça que saía dentre seus lábios vermelhos.
Saltos finos, escolhidos especialmente para cada noite, porém desgastados por movimentos incessantes e contínuos. Movimentos que só se faziam saciados ao entrar numa Mercedes cor de fogo. Ao passar dos meses notava que isto havia virado uma constante rotineira e semanal, pontualmente no mesmo dia e horário.
Uma barriga saliente me prendia a atenção. Criei uma hipótese plausivelmente aceitável, seria apenas displicência em relação a sua alimentação, teria comido mais do que deveria e voltaria logo ao seu corpo curvilíneo que tanto despertava segundas intenções, normalmente masculinas. Hábitos novos surgiram, vômitos e fraquezas. Sua barriga adquiriu um formato diferenciado, apesar de não ter muita experiência nestes assuntos, juntei as peças do óbvio quebra-cabeça, não era apenas gordura localizada, mas estaria esperando um filho. Ela seria capaz de fazer uma boa atuação no papel de mãe? Ou trataria o ser inocente que carregava dentro de si nos mesmos moldes que tratava a própria vida?
Suas vestes vulgares e decotadas a mostrar tanta pele, diminuíam a olhos vistos. A cada noite que passava sua presença naquela esquina se fixava por um período maior de tempo.
Em 19 de abril escutei minha sentença de morte numa sala de hospital. Uma voz gasguita me informara minha data máxima de validade, após alguns meses seria um produto de supermercado estragado, sem serventia prática, sem importância, descartado, abominável, vencido. Reflexões clichês na volta de casa, sobre a hora da morte, me faziam pensar na vida e no que ela poderia ter sido. Na barreira inexistente que separava a madrugada do dia seguinte, Maria das Lurdes, estava lá no mesmo local de sempre, com malas nas mãos, sacolas, tudo que fosse capaz de guardar os seus poucos pertences. Seria naquela hora que iria trocar as primeiras palavras com alguém que já conhecia tão bem. Rosto desesperado e sem a possibilidade de recusar o meu convite, aceitou deveras agradecida e surpresa, passar então a noite mais longa na minha casa, a noite de três meses e tantas horas.
(...)
Seus longos cabelos loiros tentavam esconder o lindo rosto de traços suaves e delicados, modificado artificialmente por desejo e vontade própria. Olhos perdidos, no meio da cidade que fingia dormir, fixos nos carros que davam adeus naquela esquina. Sua única e fiel companheira, uma caixa de marlboro cheia de bitucas de cigarro, pequenas doses de ilusões espalhadas pela fumaça que saía dentre seus lábios vermelhos.
Saltos finos, escolhidos especialmente para cada noite, porém desgastados por movimentos incessantes e contínuos. Movimentos que só se faziam saciados ao entrar numa Mercedes cor de fogo. Ao passar dos meses notava que isto havia virado uma constante rotineira e semanal, pontualmente no mesmo dia e horário.
Uma barriga saliente me prendia a atenção. Criei uma hipótese plausivelmente aceitável, seria apenas displicência em relação a sua alimentação, teria comido mais do que deveria e voltaria logo ao seu corpo curvilíneo que tanto despertava segundas intenções, normalmente masculinas. Hábitos novos surgiram, vômitos e fraquezas. Sua barriga adquiriu um formato diferenciado, apesar de não ter muita experiência nestes assuntos, juntei as peças do óbvio quebra-cabeça, não era apenas gordura localizada, mas estaria esperando um filho. Ela seria capaz de fazer uma boa atuação no papel de mãe? Ou trataria o ser inocente que carregava dentro de si nos mesmos moldes que tratava a própria vida?
Suas vestes vulgares e decotadas a mostrar tanta pele, diminuíam a olhos vistos. A cada noite que passava sua presença naquela esquina se fixava por um período maior de tempo.
Em 19 de abril escutei minha sentença de morte numa sala de hospital. Uma voz gasguita me informara minha data máxima de validade, após alguns meses seria um produto de supermercado estragado, sem serventia prática, sem importância, descartado, abominável, vencido. Reflexões clichês na volta de casa, sobre a hora da morte, me faziam pensar na vida e no que ela poderia ter sido. Na barreira inexistente que separava a madrugada do dia seguinte, Maria das Lurdes, estava lá no mesmo local de sempre, com malas nas mãos, sacolas, tudo que fosse capaz de guardar os seus poucos pertences. Seria naquela hora que iria trocar as primeiras palavras com alguém que já conhecia tão bem. Rosto desesperado e sem a possibilidade de recusar o meu convite, aceitou deveras agradecida e surpresa, passar então a noite mais longa na minha casa, a noite de três meses e tantas horas.
(...)
21 outubro, 2009
Até o derramar do próximo copo
Tudo demais para mim é pouco. Não me lembro de não ser assim, exagerada, extravagante, extrovertida. Derramo vícios goela ha baixo ao som de conselhos corriqueiros habituais. Poderia me impressionar com a insistência alheia de interferir na minha vida, mas já se tornou clichê. Me tornei clichê sem perceber, escrever sobre o amor é clichê, amar é clichê. Sou tão novidade da semana passada, notícia antiga jogada fora no jornal que quebrou por dividas acumuladas. Não que procure chamar atenção, isso parece acontecer naturalmente, sem esforços, junto com a minha linguagem tão rebuscada. Sou mulher de muitos amores, muitos pequenos textos dedicados a leitores inexistentes. Não sou ainda nem sequer uma mulher, dependendo da sua análise. Estou acostumada a ser julgada por não ser homem, se fosse, teria o direito de ter um livro completo só de nomes femininos que passaram pelo meu sofá, minha rede, minha cama ou o elevador de serviço do meu prédio, ainda receberia congratulações dos meus amigos por ser assim tão másculo. Pareço uma revoltada sem causa, queria ter causas concretas, ter nascido na época de um ditador ou ser uma minoria lutando para igualdade de direitos. Não sei onde fui me meter atrás de tantos personagens, me perdi no meio de tantas vidas imaginárias, tantas histórias inventadas, tantos eu – líricos reprimidos. Sou uma metralhadora de informações, falo sem parar, mudo de assunto rapidamente, acho que não consigo me acompanhar mais como antes. Não tento que isto tudo tenha algum sentido, apenas que se aproxime da realidade, da minha realidade. Talvez tenha te amado tanto que tentei me proteger, me proteger de amar de novo e de sofrer conseqüentemente, e meu Word não se adapta a nova ortografia, nem ao fato do trema ter saído de cartaz. Preciso parar com essa mania de me jogar assim num papel, sem continuidade, sem nexo, sem resto. Derramou.
06 outubro, 2009
Um pedaço da França.
Os filmes norte-americanos ou com fortes influências de Hollywood estão em cartazes em qualquer cinema perto da sua casa e da banca de jornal do outro lado do mundo, mas quantos de nós já paramos para prestar atenção no cinema francês? Silencioso e marcante vem ganhando adeptos no Brasil pelos seus olhares diferenciados de situações inusitadas ou corriqueiras.
No ano da França no Brasil, em plena divulgação de vários aspectos da sua cultura, o público e o acesso ao cinema Francês é restrito. A maioria dos filmes entra em cartaz apenas nas maiores capitais do país, deixando as cidades pequenas à margem do fácil conhecimento dessa arte, já nas locadoras é possível encontrar um número maior de opções, apesar de ainda escassas e raras.
Para os interessados a conhecer e desvenda o cinema francês, aqui estão dicas de filmes:
- Atrizes (França, 2007).
De Valeria Bruni Tedeschi. Com Louis Garrel, Valeria Bruni Tedeschi. PB. Duração 107’.
Marcelline é uma atriz que, de repente, passa a ser atormentada pela sombra de sua personagem, o que a faz ensaiar com tremenda dificuldade. Apesar do incentivo do diretor, que diz que fará dela uma estrela, Marcelline não consegue esquecer que já é uma quarentona, solteira e sem filhos. Ao ser apresentada para Nathalie, a assistente do diretor, as duas descobrem que já se conheciam desde os tempos de teatro na escola, há mais de 20 anos, e aos poucos vão notando o quanto são parecidas.
- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Fabuleux destin d'Amélie Poulain, Le, 2001)
Com direção de Jean-Pierre Jeunet. Tendo como protagonista a famosa atriz francesa Audrey Tautou.
Amélie é uma jovem que se muda do subúrbio, onde morava com a família, para Paris, para trabalhar como garçonete. Ela encontra uma caixinha cheia de itens pessoais escondida no banheiro de sua casa e decide entregá-la ao antigo dono, revendo pequenos conceitos que mudarão sua vida.
- Bem-me-quer... Mal-me-quer (À la folie... pas du tout, 2002)
Em Bordeaux, Angélique (Audrey Tautou), uma estudante de Belas Artes, parece ter tudo na vida: juventude, beleza e uma promissora carreira como artista plástica. Mas ela só tem olhos para o amor. É que ela desenvolveu uma paixão desmedida pelo Dr. Loïc (Samuel Le Bihan), um médico cardiologista de renome, de 35 anos, casado e prestes a ser pai.
A despeito de tudo o que seus amigos lhe dizem e de diversos acontecimentos que provam o contrário, Angélique persiste na idéia de que Loïc também a ama, transformando o que de início parecia ser um desencontro amoroso em uma perigosa obsessão, pois cada vez mais ela tem como certo que um dias eles irão se casar.
No ano da França no Brasil, em plena divulgação de vários aspectos da sua cultura, o público e o acesso ao cinema Francês é restrito. A maioria dos filmes entra em cartaz apenas nas maiores capitais do país, deixando as cidades pequenas à margem do fácil conhecimento dessa arte, já nas locadoras é possível encontrar um número maior de opções, apesar de ainda escassas e raras.
Para os interessados a conhecer e desvenda o cinema francês, aqui estão dicas de filmes:
- Atrizes (França, 2007).
De Valeria Bruni Tedeschi. Com Louis Garrel, Valeria Bruni Tedeschi. PB. Duração 107’.
Marcelline é uma atriz que, de repente, passa a ser atormentada pela sombra de sua personagem, o que a faz ensaiar com tremenda dificuldade. Apesar do incentivo do diretor, que diz que fará dela uma estrela, Marcelline não consegue esquecer que já é uma quarentona, solteira e sem filhos. Ao ser apresentada para Nathalie, a assistente do diretor, as duas descobrem que já se conheciam desde os tempos de teatro na escola, há mais de 20 anos, e aos poucos vão notando o quanto são parecidas.
- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Fabuleux destin d'Amélie Poulain, Le, 2001)
Com direção de Jean-Pierre Jeunet. Tendo como protagonista a famosa atriz francesa Audrey Tautou.
Amélie é uma jovem que se muda do subúrbio, onde morava com a família, para Paris, para trabalhar como garçonete. Ela encontra uma caixinha cheia de itens pessoais escondida no banheiro de sua casa e decide entregá-la ao antigo dono, revendo pequenos conceitos que mudarão sua vida.
- Bem-me-quer... Mal-me-quer (À la folie... pas du tout, 2002)
Em Bordeaux, Angélique (Audrey Tautou), uma estudante de Belas Artes, parece ter tudo na vida: juventude, beleza e uma promissora carreira como artista plástica. Mas ela só tem olhos para o amor. É que ela desenvolveu uma paixão desmedida pelo Dr. Loïc (Samuel Le Bihan), um médico cardiologista de renome, de 35 anos, casado e prestes a ser pai.
A despeito de tudo o que seus amigos lhe dizem e de diversos acontecimentos que provam o contrário, Angélique persiste na idéia de que Loïc também a ama, transformando o que de início parecia ser um desencontro amoroso em uma perigosa obsessão, pois cada vez mais ela tem como certo que um dias eles irão se casar.
Pronominais
"Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro"
Oswald de Andrade.
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro"
Oswald de Andrade.
15 setembro, 2009
Romance
Com a direção de Guel Arraes, que já dirigiu outros filmes como “O auto da compadecida”. Faz com que “romance” não arranque apenas risadas do público como um verdadeiro encantamento pela sua visão do mundo artístico e lírica do amor entre os personagens.
Grandes atores ainda consagram ainda mais o filme, como Wagner Moura, ator versátil que já fez o longa “tropa de elite” à uma mulher no seriado “sexo frágil” da TV globo, mostra mais uma das suas fases de cameleão.
Romance é sem dúvida um dos melhores filmes nacionais, confira já.
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